Como Governar para Perder Eleições


Por: Curtis Chincuinha
Resumo Ganhar eleições e governar são actividades relacionadas, mas não equivalentes: a conquista do poder pelo voto inaugura uma nova relação de responsabilidade perante os cidadãos, em que as promessas se convertem em expectativas de governação. Resultados de políticas públicas, experiência quotidiana, qualidade da comunicação e atribuição de responsabilidade pelos problemas colectivos influenciam a forma como o desempenho é lido nas urnas. Partindo da literatura sobre voto retrospectivo, discute-se em sentido inverso como certas práticas de governação produzem desgaste eleitoral, não como fórmula determinista para a derrota, mas como identificação de dinâmicas que ampliam a distância entre o que o Governo julga ter realizado e o que os cidadãos reconhecem como resultado. Perder eleições pode resultar da combinação entre desempenho, expectativas, percepção, comunicação, confiança e responsabilização; a proposta é, por isso, ler a governação como um processo continuado de prestação de contas perante o cidadão. Palavras-chave: governação; eleições; voto retrospectivo; responsabilização; comunicação política; confiança; opinião pública.



1. Introdução Há uma diferença estrutural entre conquistar o poder e governar. A primeira tarefa encerra-se no dia da eleição; a segunda começa no dia seguinte. Em campanha, candidatos e partidos pedem confiança, apresentam propostas, prometem prioridades e tentam convencer que serão capazes de enfrentar os principais problemas colectivos. Ao vencer, deixam de ser apenas candidatos: passam a responder por decisões, políticas e, até certo ponto, pelos problemas que não conseguem resolver. A partir daqui começa a parte mais exigente da política. A literatura sobre voto retrospectivo assenta numa intuição simples: os cidadãos podem olhar para o desempenho de quem governa e usar essa avaliação para decidir se mantêm ou substituem os titulares do poder. Morris P. Fiorina, em Retrospective Voting in American National Elections (1981), tornou-se referência ao colocar a avaliação do desempenho passado no centro da explicação do voto. Investigação subsequente complexificou este quadro. Andrew Healy e Neil Malhotra (2013) mostram que o voto retrospectivo pode funcionar como mecanismo de responsabilização democrática, mas que os cidadãos nem sempre avaliam de forma perfeita ou uniforme. A atenção dispersa, limitações cognitivas e a heterogeneidade das áreas de política introduzem ruído nessa avaliação. Daqui emerge a pergunta orientadora: se os cidadãos avaliam retrospectivamente quem governa, o que pode transformar uma governação numa experiência de desgaste eleitoral? A questão é provocatória, mas não sugere qualquer receita universal, porque resultados eleitorais dependem de contextos económicos, adversários, choques imprevistos, instituições, sistemas partidários e percepções. O foco é outro: identificar comportamentos que ampliam a distância entre “actividade governativa” e “resultado percebido”. É possível que um Governo execute programas, legisle, inaugure infra-estruturas e, ainda assim, não converta essa actividade em confiança política? A resposta parece residir menos no volume do que na relação entre expectativa, desempenho, percepção e responsabilização. Um Governo pode fazer muito e colher pouco reconhecimento. Pode fazer pouco e comunicar muito. Pode enfrentar problemas que não criou e, mesmo assim, ser responsabilizado por eles. Pode executar políticas tecnicamente sólidas e não convencer de que melhoraram vidas. Pode, inclusive, comunicar incessantemente as suas realizações e, paradoxalmente, acentuar a distância entre a narrativa oficial e a experiência das pessoas. Daqui resulta um “manual invertido”: como governar para perder eleições. Não é um convite ao fracasso; é um exercício analítico, ancorado na literatura sobre responsabilização democrática e comunicação política, sobre como certas formas de governar alimentam o desgaste. A hipótese central é simples: eleições avaliam não apenas o que foi feito, mas também o que os cidadãos acreditam que foi feito, o que esperavam e o que entendem ser responsabilidade do Governo. A distância entre estas dimensões pode ser decisiva. 2. O eleitor depois da eleição A eleição não encerra a relação entre governantes e governados; transforma-a. Antes, o voto resulta de candidatos, partidos, propostas, identidades, experiências e expectativas sobre o futuro. Depois, entra em cena o desempenho de quem recebeu o mandato, e é aqui que o voto retrospectivo ganha relevância. Fiorina desloca parcialmente a atenção do “quem é o candidato?” para “o que aconteceu sob este Governo?”. A nuance muda a natureza da relação política: um candidato pede confiança numa promessa; um governante responde por realidades. E as realidades não são apenas relatórios de execução: são experiências quotidianas. O cidadão não acompanha a totalidade dos programas, mas reconhece o que encontra no seu dia a dia. Uma estrada que continua degradada, um serviço que tarda, um documento que não chega, uma escola que melhora, um hospital que passa a ter um exame disponível, uma aplicação que simplifica um procedimento, um emprego que não apareceu, uma promessa por cumprir. É nesse terreno que a governação se torna concreta. A responsabilização eleitoral não depende apenas do volume de actividade, mas da capacidade de o cidadão ligar essa actividade a resultados relevantes para a sua vida. Healy e Malhotra mostram que o voto retrospectivo não é um simples “plebiscito económico”: abrange várias áreas, e a sua eficácia depende de como a informação chega ao eleitor. Daí a primeira ironia do título: para perder eleições, talvez não seja necessário governar mal; pode bastar governar de modo a que os acertos não sejam percebidos como tais, enquanto os problemas se colam facilmente ao Governo. 3. A distância entre governar e ser percebido como governante Entre o que se faz e o que se percebe que se fez abre-se um espaço político decisivo, e é aí que a comunicação importa. Robert M. Entman (1993) mostrou como o enquadramento (framing) selecciona e torna salientes certos aspectos da realidade. Em comunicação governamental, a mesma política pode ser apresentada pelo montante investido, pelo número de beneficiários, pelas instituições envolvidas ou pela mudança concreta que procura produzir. A escolha do enquadramento determina o que ganha visibilidade. Quando um Governo comunica sobretudo a sua própria agenda — reuniões, inaugurações, programas, despachos, visitas, cerimónias — arrisca recentrar a história em si mesmo. Mas o cidadão vive outra cronologia: a da rotina. É nessa rotina que a política pública é testada. Um serviço digital pode ser celebrado como inovação; o cidadão quer saber se deixou de perder três dias numa fila. Uma estrada pode ser um grande investimento; quem ali vive pergunta se, nas chuvas, finalmente chega ao mercado. Um programa de emprego pode somar vagas; quem procura trabalho pergunta se encontrou uma. Não é apenas uma questão de linguagem: é a diferença entre actividade administrativa e experiência social. E é nessa fractura que começa o desgaste. 4. A primeira regra para perder eleições: prometer demasiado Promessas criam expectativas; expectativas estabelecem parâmetros de avaliação; esses parâmetros tornam-se instrumentos de responsabilização. Nem toda promessa não cumprida gera punição automática, porque há imprevistos, constrangimentos e prioridades que mudam, e os eleitores ponderam compromissos de forma desigual. O problema surge quando a ambição prometida supera a capacidade real de entrega. O discurso, então, arma uma armadilha: quanto mais alta a expectativa, maior a frustração. Na hora de prestar contas, a memória da promessa pesa mais do que as explicações tardias. E assim o futuro prometido torna-se adversário do presente governado. 5. A segunda regra para perder eleições: confundir actividade com resultado A tentação é medir trabalho por contagem: quantas reuniões, diplomas, projectos, instituições, inaugurações, milhões? Esses números organizam a administração, mas não respondem à pergunta que interessa ao cidadão: o que mudou? A burocracia regista o que consegue contar; o cidadão reconhece o que consegue sentir. Uma política pode cumprir o seu plano e ter efeitos modestos. Um programa pode bater metas e não resolver o problema que justificou a sua criação. Uma reforma pode ser relevante e demorar anos até produzir efeitos palpáveis. Avaliar governação não é só inventariar acções; é medir resultados. Christopher R. Berry e William G. Howell, em estudo sobre eleições de conselhos escolares, mostram que os eleitores, em certos contextos, reagem a indicadores de desempenho — mas que, quando a atenção pública a esses indicadores diminui, a sua influência nos resultados também se esvai. Moral simples: um resultado pode existir e, ainda assim, não entrar no campo de visão do eleitor. Entre fazer e ser reconhecido por ter feito, há uma ponte: informação. Quando falha, instala-se a dissonância: o Governo julga estar a entregar; o cidadão não o reconhece; e ambos passam a falar de realidades distintas. É terreno fértil para desgaste. 6. A terceira regra para perder eleições: comunicar muito e explicar pouco A profusão de discursos, comunicados, campanhas, vídeos e relatórios não garante boa comunicação. Pode-se anunciar o que aconteceu sem dizer porquê; apresentar uma medida sem explicitar o problema que enfrenta; exibir números sem lhes dar significado; mostrar obras sem indicar quem delas beneficia. E, sobretudo, falar tanto da instituição que se deixa de falar do cidadão. Comunicar realizações é um dever. O risco está em transformar a comunicação num inventário de actos: “lançou-se”, “inaugurou-se”, “assinou-se”, “aprovou-se”. Prestar contas exige outras respostas: porquê, para quem, com que finalidade, com que resultados, o que muda depois? A diferença parece subtil, mas muda a relação com o cidadão: a primeira descreve o Governo; a segunda explica a governação. Num ecossistema informativo denso, a comunicação oficial concorre com jornalismo, especialistas, sociedade civil e a própria experiência dos cidadãos. Comunicar não é controlar o que as pessoas pensam; é oferecer informação que lhes permita compreender. Quando a explicação falta, multiplicam-se interpretações alternativas. 7. A quarta regra para perder eleições: fugir da responsabilidade Governar é decidir — e decidir é assumir consequências. Christopher Hood, em The Blame Game (2011), analisa como governos e burocracias evitam culpa e como isso afecta a responsabilização democrática. Não se trata de imputar ao Governo tudo o que ocorre num país. Fenómenos climáticos, crises internacionais, mercados, guerras, pandemias ou decisões de outros actores escapam ao seu controlo. O problema instala-se quando a explicação vira rotina: se corre bem, mérito do Governo; se corre mal, culpa de outrem. A assimetria corrói confiança. A democracia exige cadeias claras de responsabilidade. Quando se diluem, a responsabilização torna-se opaca. Se todos são responsáveis, ninguém o é — e, nas urnas, regressa a pergunta a quem julga. 8. A quinta regra para perder eleições: esquecer que o eleitor atribui crédito e culpa A avaliação eleitoral envolve problemas e méritos: quem fez, quem resolveu, quem falhou, quem merece crédito, quem assume culpa. Carolina Plescia e Sylvia Kritzinger (2017) mostram que avaliações retrospectivas afectam Governo e oposição; o estatuto de incumbente não esgota a lógica da atribuição de responsabilidades. O eleitorado não vive numa equação “Governo = tudo o que acontece”. Existem vários actores, níveis de poder e arranjos institucionais. A questão é como o cidadão distribui responsabilidade. Administrativamente, responsabilidades podem ser partilhadas; politicamente, a percepção dessa partilha pode ser outra. Por isso, atribuir responsabilidade é parte da governação: não basta fazer; é crucial que se saiba quem fez o quê. E isso exige comunicação clara. 9. A sexta regra para perder eleições: deixar que a experiência quotidiana contradiga a narrativa oficial Indicadores positivos podem coexistir com insatisfação; não há contradição necessária. A economia pode crescer enquanto famílias continuam vulneráveis. As estradas podem expandir-se enquanto algumas comunidades permanecem isoladas. Um serviço público pode melhorar em média e continuar falho para certos utentes. Indicadores agregados e experiências individuais não são a mesma coisa. A política pública opera com números grandes; a vida decorre em pequenas unidades. Assim, o que parece sucesso na apresentação institucional pode soar insuficiente na conversa do dia a dia. A literatura sobre voto retrospectivo sublinha, além disso, limitações informativas e vieses na avaliação cidadã (Healy e Malhotra). A relação entre desempenho e voto não é mecânica. Mas a percepção do desempenho é parte da realidade política. Dizer “os números mostram que fizemos bem” não basta. Os números contam; o cidadão pergunta: “e na minha vida, o que mudou?” 10. A sétima regra para perder eleições: não perceber o que o cidadão considera importante Governar é priorizar, e prioridades governamentais nem sempre coincidem com as dos cidadãos. Uma reforma estrutural pode ser crucial e, no entanto, pouco percebida. Uma política de horizonte longo pode exigir recursos enquanto a população se concentra numa urgência. Um projecto tecnicamente complexo pode dominar a agenda enquanto os cidadãos estão focados noutro problema. Isto não implica governar ao sabor do imediatismo. Mas há diferença entre ter uma agenda e ignorar a agenda social. A saliência das questões importa. Como Plescia evidencia, temas mais presentes na preocupação pública pesam mais na atribuição de responsabilidade. Pequenas mudanças em áreas muito salientes podem valer mais politicamente do que grandes reformas em áreas periféricas. A política tem memória selectiva — e a atenção é um recurso escasso. 11. A oitava regra para perder eleições: confundir crítica com oposição O erro maior do que não gostar de críticas é deixar de escutar. Nem toda crítica é oposição partidária. Um jornalista pode questionar, um académico contestar, um empresário apontar entraves, um funcionário público sinalizar falhas, um cidadão relatar que o serviço não funciona. Tratar crítica como hostilidade política empobrece a informação disponível para corrigir rumos. Isto é particularmente relevante porque a responsabilização democrática depende de atenção e informação. Berry e Howell mostram que, quando a atenção pública a certos indicadores esmorece, também diminui o seu peso na avaliação eleitoral. Se o Governo só escuta os seus próprios instrumentos, arrisca ficar preso aos seus dados. As instituições vêem o mundo pelos seus registos; o cidadão, pela sua experiência. É preciso que estes dois planos conversem. 12. A nona regra para perder eleições: transformar a comunicação pública numa defesa permanente Prestar contas não é o mesmo que defender-se. Prestar contas é explicar decisões, apresentar resultados, reconhecer dificuldades e responder a perguntas. Defender-se é partir do princípio de que é preciso provar que se tem razão. Uma comunicação defensiva transforma cada pergunta em ameaça, cada crítica em acusação. A mensagem deixa de esclarecer para justificar. Hood inclui o spin entre os mecanismos de evasão da culpa: não é ilegítimo apresentar a melhor versão dos factos; o risco surge quando a defesa substitui a explicação. A nuance é fina — mas os cidadãos percebem-na. 13. A décima regra para perder eleições: esquecer que a eleição chega Todo Governo governa sob calendário. Chega o dia em que promessas, resultados, problemas, decisões, reformas, crises, expectativas e experiências pessoais são postos lado a lado. A teoria do voto retrospectivo não presume uma auditoria perfeita. A avaliação é selectiva, informacionalmente limitada e sujeita a ruído. Mas governar é acumular uma história que será, depois, avaliada. Cada decisão entra nessa história. Cada promessa pode regressar. Cada problema não resolvido ganha novo significado. Cada resultado procura autor. Cada explicação é comparada com o que se disse antes. A governação não termina na conferência de imprensa. Fica na estrada, na escola, no hospital, no preço, no emprego, no serviço público — e na memória. E, por fim, nas urnas. 14. Fazer muito não é necessariamente ser reconhecido Voltamos ao ponto de partida. Seria simplista concluir que governos perdem porque governam mal; a literatura não autoriza tal linearidade. Healy e Malhotra mostram que o voto retrospectivo pode responsabilizar, mas que os eleitores cometem erros previsíveis e nem sempre ajustam perfeitamente avaliação e desempenho objectivo. Berry e Howell sublinham que informação e atenção pública condicionam o uso eleitoral de certos resultados. Daqui resulta uma conclusão útil. A governação tem, pelo menos, duas dimensões: a objectiva (o que se faz e os resultados obtidos) e a política (o que é conhecido, percebido, valorizado e atribuído ao Governo). Relacionam-se, mas não se confundem. É possível fazer muito e comunicar mal. Fazer pouco e comunicar muito. Produzir bons resultados e não colher crédito. Produzir maus resultados e não assumir de imediato a culpa. Enfrentar choques externos e, ainda assim, ser responsabilizado. Ser beneficiado — ou prejudicado — por circunstâncias fora de controlo. É a complexidade própria da democracia. 15. O paradoxo da governação Quanto mais um Governo governa, mais decide; quanto mais decide, mais consequências produz; quanto mais consequências, mais pontos de avaliação oferece. Governar cria exposição. A oposição critica, o jornalismo interroga, os cidadãos comparam, os especialistas avaliam — e, no fim, o eleitor atribui crédito e culpa. Não governar também tem custos. Mas governar implica aceitar que as consequências das políticas serão associadas, em alguma medida, a quem detém responsabilidade. Por isso, governação não é apenas executar; é, igualmente, prestar contas. Quem só valoriza a execução pode surpreender-se com a avaliação. Olha para relatórios e pergunta: “Como é possível perder depois de tudo o que fizemos?” A resposta está na própria pergunta. Não basta somar acções. É preciso perguntar: o que mudou? Quem percebeu a mudança? Quem beneficiou? Quem recebeu a informação? Quem recebeu o mérito? Que problemas ficaram? E quem o cidadão considerou responsável? É neste espaço — entre desempenho e percepção — que se joga grande parte da responsabilização eleitoral.

16. Conclusão


Afinal, como governar para perder eleições? Num manual inverso, a receita seria clara: - Prometer mais do que se consegue entregar. - Confundir actividade com resultado. - Comunicar muito e explicar pouco. - Evitar assumir responsabilidade quando há problemas. - Ignorar o que realmente preocupa os cidadãos. - Deixar que os indicadores contradigam a experiência quotidiana. - Tratar toda crítica como oposição. - Converter a comunicação pública numa defesa permanente. - E esquecer que, no fim, tudo será colocado lado a lado numa eleição. Ainda assim, nenhuma destas regras, isoladamente, determina uma derrota. A política é demasiado complexa para algoritmos. Há governos que cumprem e perdem; falham e vencem; enfrentam crises e sobrevivem; exibem bons indicadores e não convertem resultados em confiança; e há sempre eventos que escapam ao seu controlo. O voto não é uma folha de cálculo; é uma decisão humana. Por isso, a governação não se mede apenas pelos números administrativos. O cidadão tem os seus próprios indicadores: a estrada que usa, o hospital que frequenta, a escola dos filhos, o emprego que procura, o documento que espera, o preço que paga, o serviço que recebe, a promessa que recorda. É aí que a política deixa de ser discurso e passa a ser experiência. Fiorina recolocou o desempenho governamental no centro do voto retrospectivo. A investigação posterior mostrou a sua complexidade: os eleitores avaliam com informação imperfeita, atenção desigual e referências distintas, muitas vezes com vieses previsíveis. A lição é directa: governar não é só produzir resultados; é governar sabendo que eles serão interpretados, comparados e atribuídos. Quando a distância entre o que o Governo pensa ter entregue e o que o cidadão acredita ter recebido se torna demasiado grande, a eleição transforma-se no momento em que essas duas realidades finalmente se encontram. Referências bibliográficas BERRY, Christopher R.; HOWELL, William G. (2007). “Accountability and Local Elections: Rethinking Retrospective Voting”. The Journal of Politics, vol. 69, n.º 3, pp. 844–858. DOI: 10.1111/j.1468-2508.2007.00579.x. FIORINA, Morris P. (1981). Retrospective Voting in American National Elections. New Haven: Yale University Press. HEALY, Andrew; MALHOTRA, Neil (2013). “Retrospective Voting Reconsidered”. Annual Review of Political Science, vol. 16, pp. 285–306. DOI: 10.1146/annurev-polisci-032211-212920. HOOD, Christopher (2011). The Blame Game: Spin, Bureaucracy, and Self-Preservation in Government. Princeton: Princeton University Press. PLESCIA, Carolina; KRITZINGER, Sylvia (2017). “Retrospective voting and party support at elections: credit and blame for government and opposition”. Journal of Elections, Public Opinion and Parties, vol. 27, n.º 2, pp. 156–171. DOI: 10.1080/17457289.2016.1243543.


Postagens mais visitadas deste blog

Soberania em Risco: Como as Big Techs Reescrevem as Regras do Poder em Moçambique

O Primeiro Cancro da Defesa Nacional: O Regresso Urgente dos Oficiais às Trincheiras

A Preguiça como Direito Político: Uma Releitura de Lafargue à Luz do Capitalismo Contemporâneo